INTRODUÇÃO

Friedrich Adolf Trendelenburg é muito conhecido por seu estudo de Platão e Aristóteles, a quem ele considera não como oponentes, mas construtores da conjunta base do idealismo. Seu próprio ponto de vista pode ser chamado de uma versão moderna do aristotelianismo.  Trendelenburg nasceu no em 30 de novembro de 1802 em Eutin,perto de Lübeck. Por quase 40 anos, ele provou ser notavelmente bem sucedido como professor, durante a maior parte do tempo que teve que examinar em filosofia e pedagogia todos os candidatos à profissão escolar na Prússia. Seu método de ensino foi altamente considerado por Kierkegaard, que o chamou de "um dos filólogos filosóficos mais sóbrios que conheço". No seu sistema filosófico, faz duras críticas a dialética hegeliana por afirma que Hegel fundamentado suas ideais com conclusões apenas prováveis, e por esta razão traz em seu âmago a possibilidade de ser refutado. Suas obras mais conhecidas são: Elementa logices Aristoteleae (1836) e A história da doutrina das categorias (1846-1867). Veio a falecer no em 24 de janeiro de 1872.

 

CONTRA A DIALÉTICA HEGELIANA

            Adolf Trendelenburg faz duras críticas ao sistema hegeliano, se mostrando contra a concepção hegeliana da dialética. Professor em Berlim, Trendelenburg teve entre seus ouvintes jovens destinados a se tornarem estrelas do pensamento filosófico: Kierkegaard, Feuerbach, Marx e Brentano. Homem de prestígio indiscutido, Trendelenburg também foi secretário da Academia Prussiana de Ciências. Homem de grande ciência, desenvolveu uma perspectiva diferente da dialética de Hegel.

Para Hegel, a dialética é um automovimento do pensamento puro que, ao mesmo tempo, é o autogerar-se do ser. E a mola de todo o processo está na negação. Entretanto, perguntase Trendelenburg, em que consiste "a essência dessa negação dialética"? A resposta, aguda e atual que ele dá a essa interrogação central é que a negação "pode ter dupla natureza". Com efeito, "ou consideramos a negação dialética do modo puramente lógico e, então, ela nega simplesmente o que o primeiro conceito afirma, sem pôr nada de novo em seu lugar, ou é entendida de modo real e, então, o conceito afirmativo é negativo por novo conceito afirmativo". Ora, no primeiro caso temos "negação lógica" e no segundo caso "oposição real". A primeira negação é o "oposto contraditório", a outra é o "oposto contrário". Em suma, afirmar e negar a mesma coisa não produz de modo algum qualquer "síntese" e não nos aprofunda (necessária mente!) em nenhum terceiro conceito novo.

Portanto, trocar a negação dialética pela negação lógica, segundo Trendelenburg, é "um mal-entendido". Mas não seria possível que a contradição dialética se identifique com a "oposição real"? Contudo, também nesse caso surgem dificuldades: por que "se pode obter uma oposição real com um método lógico"? Essa era, precisamente, a pretensão de Hegel: derivar a dialética do real da dialética do pensamento puro, o que é simplesmente absurdo. A lógica não pode inventar nem criar a realidade. Se quisermos falar da realidade, precisamos recorrer à experiência ou, como diz Trendelenburg, à "intuição sensível" Em outros termos, dado um fato, um acontecimento, um tipo de Estado, uma constituição ou um movimento de pensamento, a determinação de outros fatos, acontecimentos, instituições etc., que a eles se oporão, não é função da lógica, mas sim da investigação empírica.