INTRODUÇÃO
Não pretendemos, com o título de A metafísica de Plotino, exumar algum antecedente plotiniano do debate que deveria nascer em seguida, e que persiste ainda hoje, acerca do verdadeiro objeto da Metafísica de Aristóteles. Esse objeto não era tema de dúvida para Plotino nem para os comentadores gregos de Aristóteles em seu conjunto, e, notadamente, para Alexandre de Afrodísia, do qual, como sabemos por Porfírio, Plotino fazia ler os comentários em seus cursos. Nossa intenção é antes exibir, tomando alguns exemplos como apoio, o que constitui o próprio fundo do ser para Plotino. Em outros termos, tentar mostrar em que consiste, em última instância, a textura mesma do real. Esse empreendimento é metafísico no sentido em que requer um dos caracteres tradicionalmente reconhecidos nesse tipo de investigação, que é a busca das causas do ser propriamente dita, isto é, a etiologia.
Com isso esperamos demarcar de modo mais preciso o lugar de Plotino na história do pensamento. A questão, incessantemente retomada, de saber onde terminam o platonismo e o aristotelismo de Plotino e onde começa o plotinismo propriamente dito receberá um novo esclarecimento caso seja mostrado, como cremos poder fazer aqui, o que o ser é em seu fundo, em seu princípio, concebido de modo diferente por Plotino em relação a Platão ou Aristóteles. E se o fundo, se o princípio, logo, se a fonte mesma do ser como causa é diferente para ele, com efeito é possível sustentar que há uma metafísica propriamente plotiniana, ou, caso se prefira, um momento plotiniano da metafísica na história das ideias.
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