A gravidade explica os movimentos dos planetas, mas não pode explicar quem colocou os planetas em movimento. Deus governa todas as coisas e sabe tudo que é ou que pode ser feito - I. Newton
No início da humanidade, o homem olhava para o céu com o desejo de buscar respostas para a criação da realidade e o sentido da natureza. A observância dos astros, a posição das estrelas e a importância do sol e da lua, tornou-se para os homens não apenas fenômenos da criação, mas objetos de devoção e fé. De fato, os antigos pensavam que os astros luminosos no céu ou eram deuses, ou eram um presente divino para homens, para que estes pudessem se comunicar com o mundo transcende. Vários povos e civilizações encontraram seus deuses e mensageiros a partir das imagens formadas pela localização das estrelas, nisso, buscavam meios de se comunicar com esse mundo divino e de desvendar os destinos humanos, e nessas tentativas nasceu a astrologia. Entretanto, as interpretações astrológicas não têm nada de científicas e tampouco conseguem prever o que acontece conosco.
Nesse sentido, a ciência nasce como uma forma de explicar, a partir da observância dos fenômenos naturais e da harmonia do cosmo, como surgiu a natureza e como esta se constituiu. Na antiguidade, os primeiros resquícios de ciência ainda possuíam muita especulação metafísica, o que na maioria das vezes gerava um conhecimento mítico e religioso. As primeiras elucidações científicas buscaram tratar sobre a origem do cosmo, sobre a sua constituição e como se dava a movimentação dos astros no céu.
Destarte, as formações
estelares e a movimentação dos corpos celestes necessita de uma espécie de
força, que possibilita o seu deslocamento do universo, ao mesmo tempo que os
fixe para que eles não eclodam em si ou a matéria que o constitui não se
desprenda dele e saia pelo universo a deriva. A ciência chamará essa força invisível
de gravidade, no qual possui a função de criar e organizar a conjuntura
estelar que se percebe no céu utilizando de uma pequena força para desempenhar
o seu papel. Entretanto, mesmo a gravidade sendo considerada uma das
forças fundamentais mais fracas, ela é responsável pela queda dos objetos em
direção à superfície da Terra, por manter a Lua girando em torno de nós e pela
estrutura geral do universo. O primeiro a utilizar do termo força
gravitacional foi Newton, como forma de explicar a origem física e a
composição do universo, como também dar uma explicação científica da criação de
Deus.
Isaac Newton (1642-1727), desenvolveu toda a sua cosmologia a partir da compreensão de uma força que uni a matéria presente na terra e faz com que o homem se fixe no chão era a mesma que possibilitou a criação de todo o cosmo, impulsionando a matéria e criando novos corpos celestes presentes no universo, denominada de gravidade. Esta é baseada no princípio de que dois objetos, mesmo diferentes, são submetidos a uma força, de igual proporção ao produto de suas massas, e inversamente proporcional ao quadrado da distância que os separa. Essa atração ocorre mesmo que objetos não cheguem a se tocar e acontece de forma instantânea. Isso ajudou Newton a compreende o celebre episódio em que uma maçã caiu em sua cabeça, como também porque a lua gira ao redor da terra, e os planetas ao redor do sol. Enfim, isso possibilito que a ciência física newtoniana encontrasse resposta para a movimentação de todo o universo.
Com a evolução das tecnologias, foi possível observar com mais clareza as estrelas, que antes pareciam estar fixas no céu, mas também possuem sua movimentação própria. Entretanto, a força gravitacional de Newton levava um paradoxo. Ele compreendia que a gravidade atuava de forma instantânea, contudo, isso tornaria impossível a existência do universo, pois os corpos seriam atraídos mutuamente, o que levaria o colapso do universo. A reposta de Newton para isso foi que a extensão do universo é infinita, sendo assim, levaria um tempo infinito para colapsar. E esses movimentos gravitacionais como toda a matéria existente era definida, segundo Newton, por Deus. Mesmo com a grande teorização científica, Newton conclui que a origem do universo como também a sua harmonia natural é fruto de um Ser, que tudo sabe e tudo pode.
Kant
define a matéria presente no espaço, que possibilitou a criação de tudo, é
fruto de um caos primitivo, no qual só existia partículas. Ao longo do
tempo, a força da gravidade unia essas partículas e implicaria na criação dos
corpos siderais. Em locais mais densos do espaço, haveria uma concentração
maior de matéria, o que possibilitou na origem de corpos com diferentes massas
e tamanhos, formando estrelas. Nesse sentido, a força gravitacional continua a
atrair partículas no universo, mas não para sempre. Segundo o filósofo de
Konigsberg, surgiu uma força que repeliu as particular ao se aproximarem das
estrelas, formando ao seu redor uma espécie de disco feito de matéria, e com o
passar do tempo esta se tornaria um planeta.
Além
disso, Kant procurou formular em sua cosmologia física, a forma de podemos
compreendemos com exatidão o universo, pois assim, poderia se criar um
conhecimento cosmológico universal e necessário. As
primeiras elucidações de Kant se propõem em delinear os elementos e formas que
estruturam o conhecimento, mediante a relação entre sujeito e objeto. Kant
afirma que quaisquer que sejam o modo ou os meios pelos quais um conhecimento
se relaciona a natureza, aquele pelo qual se relaciona imediatamente a ela é a
intuição.
A
intuição nos fornece o conhecimento imediato dos objetos, e esta só é
fornecida pela nossa sensibilidade, ou seja, a intuição se limita
mediante a nossa capacidade de receber os dados e sermos transformados pelo
objeto. Essa afirmação da intuição diverge-se da compreensão dos predecessores
de Kant, como Descartes e Espinoza, que separavam a intuição em um tipo de
conhecimento diferente dos demais. Neste sentido, a ciência deveria valer-se da
analítica, para formulação de conceitos universais e necessários, e da
sintética, compreendendo os elementos sensíveis da realidade. Para Kant, a
ciência deve enveredar-se por um terceiro juízo, que una a “aprioridade” e a
“sinteticidade” da faculdade humana, definindo-o de juízo sintético a
priori, no qual a intuição humana auxilie na formulação de conceitos
articulados de forma a priori a partir de uma nova fundamentação. Essa nova
epistemologia de Kant proporcionou uma reviravolta na compreensão da natureza,
pois antes de buscarmos conhece-la, devemos entender como se formula o
conhecimento, para não ficarmos presos no dogmatismo filosófico e
científico.
Décadas depois, o
físico Albert Einstein (1879-1955), apresentara a humanidade a sua teoria da
relatividade geral, com o intuito de incluir a questão dos movimentos dos
corpos acelerados do cosmo. Ele compreendeu que para que sua teoria fosse
aceita como verdadeira, era necessário reformular a teoria da gravidade
de Newton, e de repensar a compreensão evolutiva da origem dos corpos celestes
de Kant. Isso porque, mas que apenas uma força invisível, existe um
deslocamento no movimento que faz com que alguns objetos se movimentam com
padrões incomuns a outros, questão que a força gravitacional instantânea de
Newton não respondia. Einstein conclui que o campo gravitacional é criado a
partir da curvatura do espaço e do tempo, provocada pela presença de massa e
energia no universo. Quanto maior a densidade no cosmo, maior seria a sua
curvatura e, por conseguinte, maior seria a força da gravidade.
Com isso, o
surgimento da gravidade, força criadora e condutora do universo, que não fora
explicada por Newton, foi entendida como um efeito geométrico do espaço-tempo.
Os levantamentos de Einstein implicavam que o universo, em sua estrutura,
estava em expansão, mas não como prova imediata da criação. Para responde a tal
questão, fez-se necessário introduzir uma equação na teoria que ficou conhecida
como constante cosmológica, resultando na compreensão de um universo
estático. Isso possibilitou a explicação da expansão do universo e de toda a
sua estrutura, como o entendimento de como surgiu as estrelas, os planetas, as
galáxias e todo o cosmo.
REFERÊNCIAS
RIBEIRO, Marcelo Byrro. VIDEIRA, Antônio
Augusto Passos. Cosmologia e pluralismo teórico. Scientiæ Studia, São
Paulo, v. 2, n. 4, p. 519-35, 2004.
ARTIGAS, Mariano. Filosofia da Natureza,
trad. de José Eduardo de Oliveira e Silva, Instituto Brasileiro de Filosofia e
Ciência “Raimundo Lúlio”, São Paulo 2005, pp 389-453.
OLIVEIRA, Adilson de. A
força criadora do universo. Departamento de Física, Universidade Federal de
São Carlos, São Paulo. Disponível em:
https://cienciahoje.org.br/coluna/a-forca-criadora-do-universo. Acesso em: 25
maio 2020.
REALE, Giovanni. ANTISERI, Dario. História
da Filosofia: Do Humanismo a Kant. 8ª ed. v. 2. São Paulo: Paulus, 2007.


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